BLOG

Itália facilita visto de trabalho para brasileiros com descendência italiana

mas o que isso realmente significa?

A Itália acaba de anunciar uma medida que tem chamado a atenção de milhares de brasileiros com ascendência italiana: a possibilidade de solicitar ingresso e trabalho subordinado fora das cotas de imigração, o famoso Decreto Flussi.

Segundo o governo italiano, descendentes de italianos do Brasil e de outros seis países agora podem obter um visto de trabalho facilitado, desde que comprovem a origem familiar.

A notícia parece excelente à primeira vista.

Mas, como quase tudo no universo da cidadania italiana, existem detalhes fundamentais que precisam ser entendidos, e que podem mudar completamente o rumo de quem sonha em viver legalmente na Itália.

O que mudou com a nova regra?

De acordo com as informações divulgadas pelos Ministérios da Itália e confirmadas pela imprensa italiana, descendentes brasileiros com origem comprovada poderão:

  • Entrar na Itália com visto de trabalho subordinado, mesmo fora das cotas do decreto anual.
  • Permanecer legalmente no país enquanto trabalham para um empregador italiano.
  • E, após dois anos de residência legal, solicitar naturalização por residência.

A regra vale para descendentes de italianos dos seguintes países:
Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile, Paraguai e México.

Mas o que isso significa na prática?

À primeira vista, parece uma solução rápida para quem quer morar na Itália.
Mas existe uma grande diferença entre:

• Ser naturalizado

e

• Ter cidadania italiana originária (iure sanguinis).

E essa diferença muda tudo.

Naturalização NÃO é reconhecimento de direito

A naturalização após dois anos de residência legal não tem relação com o iure sanguinis.

Ela depende da vontade do Estado italiano, é uma concessão, um favor.

Não é automática, pode ser negada, depende de requisitos rígidos e exige comprovação de renda, integração e ausência de antecedentes.

Como explica Carla Toscano, co-CEO da ROZZA CIDADANIA:

“O descendente não estaria sendo reconhecido como italiano de origem.

Ele estaria pedindo um benefício estatal, e não exercendo um direito que já existe desde o nascimento.”

E isso muda completamente o cenário.

A contradição italiana

A medida expõe uma realidade incômoda:

“A mensagem parece ser: ‘Não queremos te reconhecer como italiano… mas queremos que você venha trabalhar aqui’”, comenta Marília Tretola, co-CEO da ROZZA CIDADANIA.

Ao mesmo tempo em que dificulta o iure sanguinis com novas leis, limitações e exigências, a Itália:

  • Enfrenta a maior crise demográfica da história
  • Precisa urgentemente recompor a força de trabalho
  • E busca atrair mão de obra jovem

A contradição é evidente.

O caminho da naturalização exige muito mais do que parece

Mesmo com o novo decreto, o descendente ainda precisará:

  • Apresentar documentos que provem a origem italiana
  • Ter um contrato de trabalho válido
  • Comprovar residência legal contínua
  • Passar por longos prazos administrativos
  • Depender totalmente do governo italiano
  • E só então solicitar naturalização

E, novamente: a naturalização não garante o reconhecimento da origem italiana.

O direito iure sanguinis continua sendo o caminho mais forte

A cidadania italiana por descendência é:

  • Originária — nasce com você
  • Imprescritível — nunca vence
  • Permanente — não depende de concessão
  • Protegida por jurisprudências históricas
  • Independente de residência na Itália

Como reforça Carla:

“Abrir mão do reconhecimento por sangue para tentar um caminho mais frágil e incerto não faz sentido.

É justamente isso que o descendente não pode perder de vista.”

Atenção ao alerta final

Especialistas já veem essa medida como:

  • Uma forma de desestimular o reconhecimento por direito
  • Uma tentativa de oferecer um “atalho” que parece fácil, mas não é
  • Uma estratégia para atrair trabalhadores, não para facilitar a cidadania
  • Uma possível forma de conter o número de novos processos

E, mais uma vez, o risco é claro:

Quem não agir agora

pode enfrentar mudanças ainda mais duras no futuro.

Conclusão: agir agora é essencial

O novo decreto abre oportunidades, sim, mas não no sentido que muitos imaginam.
Ele deixa claro que a Itália está disposta a receber seus descendentes… desde que como trabalhadores, não como cidadãos de origem.

Por isso, o momento pede estratégia e rapidez.

Na ROZZA CIDADANIA, seguimos acompanhando cada mudança, cada decreto, cada debate no Senado italiano, para guiar nossos clientes com segurança e precisão.

Se você tem direito à cidadania italiana por sangue, não troque um direito originário por um processo de naturalização incerto.

Este pode ser o seu último momento para agir com tranquilidade antes das próximas mudanças.

Compartilhe esse post:

Você não pode copiar conteúdo desta página